Os mestrandos no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas, da Faculdade de Comunicação, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Paulo Markun, Fábio Junio, Regina Bochicchio e Emanuelle Félix, concluem suas pesquisas neste ano de 2026. Com os últimos ajustes para as defesas das respectivas dissertações, os pesquisadores, vinculados ao Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-Line (GJOL), compartilham um pouco dos seus trabalhos e o sentimento de chegar à etapa final do Mestrado.
Paulo Markun
Voltei à universidade cinquenta anos depois da formatura e ao final de uma longa carreira jornalística. O plano inicial era usar o mestrado como plataforma para pesquisar nos Estados Unidos a trajetória de Robert Adams Jr., o ministro plenipotenciário americano que testemunhou a queda do Império e a proclamação da República — um projeto no qual a inteligência artificial já desempenhava papel importante em várias frentes de trabalho. Desisti ao me deparar com as dificuldades de reaproximação com o universo acadêmico — suas regras, seus cânones, a pouca abertura à inovação e ainda menos a quem se formou nas redações, distante das teorias. Acabei me voltando para minha experiência mais recente — e provavelmente a última — no desenvolvimento de um produto jornalístico multiplataforma: o DN Brasil, voltado aos brasileiros em Portugal, apresentado a mim como o primeiro passo na direção de construir um grupo de mídia para toda a Comunidade de Países de Língua Portuguesa. As agruras e conquistas daqueles onze meses intensos tomaram a forma de um relato de experiência e, graças à orientação da professora Suzana Barbosa, estão registrados na dissertação que defendo no dia 28 de maio. As lições que ficam são mais amargas do que triunfais. A principal delas é que nenhuma inovação jornalística sobrevive sem que a estrutura que a sustenta seja transparente em sua propriedade e sólida em sua governança — uma condição que a literatura da área tende a ignorar. Quanto ao que o projeto deixou para a sociedade, é a evidência de que existe demanda real por um jornalismo que trate as comunidades da diáspora brasileira com seriedade. O produto resistiu. A empresa que deveria sustentá-lo, não.
Fábio Junio
Minha pesquisa aborda as Práticas de comunicação antirracistas desenvolvidas ao longo da história do jornalismo no Brasil, sobretudo na utilização da imagem como estratégia de conscientização e que precisam ser reinventadas em tempos de plataformização. Minha expectativa em terminar o mestrado é fechar um ciclo de transformação pessoal e profissional, aprofundar-se em saber quem se é para além do tema pesquisado. Tive a felicidade de ter uma excelente orientadora nesta jornada, a Prof. Lívia Vieira, a quem agradeço pela grandiosidade das conversas, com um olhar de extrema qualidade e zelo com a pesquisa científica e observações muito preciosas. Além do mais, é uma honra participar do grupo de pesquisa GJOL com sua metodologia coletiva e acolhedora que transformou dois anos de pesquisa em um caminho espiral grandioso de aprendizado e de admiração pelos colegas. Tenho orgulho de poder dizer que sou filho do GJOL e da UFBA.
Regina Bochicchio
Finalmente estarei finalizando este ciclo, o que me deixa muito grata e feliz. Minha pesquisa busca identificar e compreender as percepções dos jovens adultos residentes em Salvador sobre as notícias. Considero este tema relevante na medida em que este público desafia organizações jornalísticas a pensarem sobre a produção de seus conteúdos, por isso a minha expectativa com a defesa da dissertação é de que a discussão seja produtiva, que eu aprenda muito com a banca, apesar do friozinho na barriga.
Emanuelle Félix
A minha pesquisa de mestrado tem como objetivo identificar os valores-notícia utilizados no jornalismo de dados durante a pandemia de Covid-19. Para alcançar esse objetivo, a pesquisadora adota, como procedimentos metodológicos, a análise de conteúdo das reportagens publicadas nos veículos que compõem seus objetos de estudo — Folha de S.Paulo, Nexo Jornal Brasil) e La Nacion (Argentina) —, bem como a realização de entrevistas semiestruturadas com jornalistas desses veículos. Para mim, a defesa da dissertação representa mais do que a conquista de um título acadêmico: significa o quão resiliente eu fui durante todo o processo da pesquisa e o quão capaz eu fui de enfrentar os percalços e as dores emocionais surgidas ao longo do caminho.




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