SND premia reportagens multimídia

A Society for News Design (SND), por meio de sua premiação Best of Digital Design, divulga este final de semana, alguns dos vencedores da competição SND35. Os premiados foram escolhidos a partir de um júri de 12 profissionais, reunidos na Ball State University, em Indianapolis, Estados Unidos.

Entre os destaques, há uma predominância das reportagens verticais multimídia, a exemplo do Snow Fall. Abaixo, alguns dos destacados pela SND. Outros premiados podem ser vistos no site da SND.

NSA Files: Decoded, The Guardian
Ouro

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The Boston Moment, New York Times
Prata

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The Serengeti Lion, National Geographic
Prata

Nat-Geo-Serengeti-640

 

Firestorm, The Guardian
Prata

Guardian-Firestorm-640

 

A Game of Shark and Minnow, New York Times
Prata

NYT-Org-port-2

 

Planet Money Makes a T-Shirt, NPR
Ouro / Prata

Planet-Money-t-shirt-620

 

Left with nothing, The Washington Post
Prata

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NYTimes e minimalismo

Há uma frase antológica na área do design que diz “less is more” (menos é mais). Foi dita pelo alemão Ludwig Mies van der Rohe (1866-1969), um dos importantes nomes da arquitetura e professor da Bauhaus. Frase tão imortal que foi lembrada em um post do pesquisador Ramón Salaverría, ao falar do novo visual do site do New York Times, que estreou oficialmente no último dia 8 de janeiro.

Van der Rohe foi um dos articuladores do minimalismo. Para o arquiteto, era necessário conceber espaços arquitetônicos com o maior nível de depuração das formas. Não havia espaço para exageros ou elementos supérfluos. Salaverría nos remete a esta mesma ideia ao comparar o antes e depois da reformulação da página da internet.

Em uma primeira vista, parece que houveram poucas mudanças. No comparativo, é possível perceber a eliminação de alguns elementos, tanto na home quanto na página interna, onde está o maior diferencial. Na primeira página, temos a supressão do menu lateral e a eliminação de elementos no menu superior. A navegação está oculta no canto superior esquerdo ou jogadas para o rodapé da página. Houve maior espaço para notícias, agora distribuídas na quatro colunas. Outra mudança sutil, mas importante: somem também os hiperlinks azuis nos títulos das chamadas, agora enquadrados na mesma tipografia do impresso. Ou seja, menos informação visual. Uma renúncia que permitiu maior foto e claridade na leitura das notícias.

Na página interna, houve maior eliminação de elementos, principalmente com a saída de diversos quadros que interferiam no fluxo do texto, bem como as fotografias que agora ganham maior potencial e, quase sempre, estão inseridas no final da matéria. O texto, agora em tipografia maior, corre sem nenhuma interferência, nem mesmo dos ícones de compartilhamento que ficaram para a lateral esquerda, onde assumem inteiramente uma coluna e ganham maior destaque.

As notícias relacionadas e demais informações foram jogadas para o rodapé da página. A leitura segue seu fluxo, e o design minimalista está embutido até o momento em que se dedica a coluna da direita para o espaço publicitário, algo que seria difícil de eliminar em se tratando do sustento para o veículo nos tempos atuais.

Estudos posteriores poderão afirmar se tais mudanças conquistaram o objetivo pretendido com esta reformulação, que é, principalmente, foco na informação. Ou seja, retirar detalhes que poderiam prejudicar a atenção na leitura da notícia. Em se tratando de um movimento que já existe desde os idos de 1960 e 1970, creio que temos aí mais um exemplo de um “pós-minimalismo digital”, já suscitado também pelo flat design das interfaces móveis.

Snowfallização no jornalismo brasileiro

Após dez meses de reportagem, envolvendo cerca de 15 jornalistas, a Folha de S.Paulo lançou neste mês de dezembro a série digital Tudo Sobre. Seguindo o esmagador sucesso de Snowfall, do New York Times, de 2012, a reportagem da Folha exibe por meio de gráficos dinâmicos, vídeos e fotos as diversas facetas da construção da polêmica usina de Belo Monte.

Segundo o próprio site, a reportagem multimídia está dividia em cinco capítulos, com 55 fotografias, 24 vídeos e 18 gráficos. Na redação, o trabalho envolveu também os designers da casa para a montagem da página especial, tais como os editores de arte Fábio Marra e Mario Kanno, bem como editores de vídeo da TV Folha.

Dias depois, o G1 lançou um especial semelhante, em formato de série, fazendo o caminho pelo interior do Nordeste e Norte brasileiro, inspirado no filme ‘Bye Bye Brasil’, também por meio de vídeos e gráficos. As duas reportagens mostram de que forma o jornalismo brasileiro também pretende mergulhar na snowfallização, este termo agora utilizado para designar este tipo de reportagem, verticalizada e multimídia, que lembra a linguagem dos aplicativos para tablets.

Especial Bye Bye Brasil, em formato de série, no G1

Especial Bye Bye Brasil, em formato de série, no G1

São trabalhos volumosos em termo de informação, o que de certa forma, gerou críticas sobre o quanto poderia gerar de dados supérfluos e que na verdade poderiam estar ali muito mais para atrair o leitor ao invés de torná-lo informado sobre o tema em questão. Com bem pontua Alberto Cairo, não é fácil criar este tipo de trabalho, apesar de houver ferramentas disponíveis para facilitar esse processo.

O cuidado que se requer na distribuição dos elementos multimídia e de texto deve ser tomado principalmente no instante do planejamento. É tentador tanto para o jornalista quanto para o designer lotar as páginas de animações e vídeos ao invés de concentrar no que precisa explicar para seus leitores na forma mais eficaz.

Creio que tanto o Snowfall, ganhador do Pulitzer, quando os dois exemplos que temos mais recentemente, conseguem informar ao evitar o exagero da ferramenta. Os gráficos inseridos conseguem auxiliar no entendimento da história. Muitas vezes, até de forma mais direta e rápida do que na leitura de um texto mais longo.

Isso remete muito aos projetos desenvolvidos pelo escritório do designer Mario García, no qual se acredita que uma notícia pode ser entendida tanto em 5 ou em 50 minutos, a depender do tempo disponível para leitura. Cabe ao leitor escolher a profundidade no qual está disposto mergulhar sobre o tema. Daí o investimento em gráficos que resumam a informação.

Estamos mesmo diante do futuro para o jornalismo? Creio que seja um futuro bem presente, no qual os portais de notícias e periódicos buscarão investir mais neste tipo de reportagem, no tempo em que o visual não é mais tratado como um elemento acessório, algo que ficou para o passado.

New York Times apresenta redesenho

O New York Times apresentou nesta terça-feira (12/3) um redesenho em sua página na internet, que está na fase de testes e permite os usuários experimentá-lo, mediante solicitação de convite.

Entre as mudanças mais perceptíveis do novo leiaute está na página de artigos, com design mais limpo e destaque marcante do título e da imagem em diferenciação do corpo do texto.

Na parte superior de cada página, é possível visualizar um carrossel de artigos relacionados, acompanhados de fotografia e em movimento, sem a possibilidade de passar despercebido pelo leitor.

Os comentários dos leitores passam a ser acessados por meio de uma janela destacável ao lado direito do corpo do texto, e não mais na parte inferior.

Outra mudança se trata do menu de navegação, muito mais idêntico com o aplicativo do jornal nos tablets: continuando na coluna da esquerda, porém com as subseções aparecendo à esquerda, sem a necessidade de scroll com o mouse.

É possível personalizar o menu principal marcando as editorias que mais interessam ao leitor (com informações de 233Grados).

Nova interface para as notícias internas do NYTimes

Nova interface para as notícias internas do NYTimes

Mais exemplos de narratividade

“Snow Fall”, reportagem publicada pelo New York Times, que reconta o drama de snowboaders enterrados pela neve após uma avalanche nas montanhas norte-americanas, tornou-se exemplo de boa utilização de recursos multimídia no jornalismo e acendeu novas discussões sobre os rumos da narratividade interativa.

Para resgatar mais exemplos, a jornalista Lauren Rabaino publicou mais dez formas de narratividade com recursos interativos para inspirar a produção deste tipo de reportagem dentro das redações. Estão relacionados nesta lista materiais dos sites da ESPN, Pitchfork, The Chicago Tribune, The Seattle Times, Paris3D, entre outros. Vale conferir!