Desde suas origens, o Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online (GJOL) mantém um compromisso contínuo com a ampliação do impacto global da pesquisa e da formação superior brasileiras. Criado institucionalmente em 1997 e registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq, o grupo vem consolidando essa vocação por meio de diferentes frentes de atuação: mobilidade acadêmica internacional de seus integrantes, participação em redes e eventos no exterior, publicação em outros idiomas, parcerias com instituições estrangeiras, organização de seminários internacionais e acolhimento de estudantes de outros países por meio de programas de cooperação e bolsas de mobilidade.

É nesse marco que, em 2026, o GJOL passa a contar com dois pesquisadores estrangeiros entre seus integrantes: o doutorando argentino Facundo Caín Sagárnaga Giles, bolsista do Programa GCUB de Mobilidade Internacional (GCUB-Mob), e o mestrando boliviano Edgar Wilfford Miranda Alvino, bolsista do Programa de Estudantes-Convênio de Pós-Graduação (PEC-PG). Ambos cursam seus estudos no PosCóm e desenvolvem pesquisas voltadas a diferentes dimensões da comunicação digital.

O PEC-PG é uma iniciativa de cooperação internacional coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE), pela CAPES e pelo CNPq, voltada à atração de estudantes estrangeiros para cursos de mestrado e doutorado no país. Já o GCUB-Mob é promovido pelo Grupo de Cooperação Internacional de Universidades Brasileiras (GCUB), com apoio de organismos nacionais e internacionais, e busca ampliar a cooperação acadêmica, científica e cultural entre universidades brasileiras e estrangeiras. Ambos os programas concedem bolsas por meio de processos seletivos altamente competitivos, que exigem sólida formação prévia, trajetória acadêmica comprovada e apresentação de projetos de pesquisa consistentes.

Edgar Wilfford Miranda Alvino, natural de Uyuni, no sudoeste da Bolívia, chegou ao GJOL em 2026 para cursar o mestrado. Sua pesquisa investiga o impacto da inteligência artificial generativa no aprendizado de estudantes de graduação em cursos de comunicação. Graduado em Comunicação Social pela Universidad Católica Boliviana San Pablo, em Cochabamba, trabalhou como jornalista independente em diferentes meios e agências de seu país, participou de projetos de pesquisa vinculados a instituições acadêmicas bolivianas e construiu também uma trajetória na área de comunicação estratégica e publicidade, com experiências na Bolívia e na Costa Rica.

Seu interesse em participar do PEC-PG vinha de anos atrás, embora só tenha conseguido efetivar sua candidatura em agosto de 2025. Entre diferentes possibilidades na área da comunicação, escolheu a UFBA por sua orientação para a comunicação digital. Como ele mesmo afirma: “Acho que é algo que atravessa o presente de todos nós e que merece compreensão, estudo e especialização. Além disso, o mercado precisa de profissionais mais competentes, criativos e críticos.”

Facundo Caín Sagárnaga Giles, por sua vez, ingressou no GJOL em 2024, quando iniciou seu doutorado no PosCóm. Nascido em Salta, no norte da Argentina, desenvolve uma pesquisa sobre como as audiências de Salvador da Bahia atribuem, disputam ou retiram credibilidade do jornalismo local nas redes sociais. É licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidad Nacional de Salta e mestre em Jornalismo Digital e Novos Perfis Profissionais pela Universidad Rey Juan Carlos, da Espanha. Antes de chegar ao Brasil, atuou como docente e pesquisador e trabalhou, desde 2009, como repórter, redator, apresentador de rádio, colunista de televisão e criador audiovisual em meios e instituições da Argentina e da Espanha.

Diferentemente de Wilfford, Facundo tinha desde o início um destino bastante claro. O programa GCUB-Mob permitia escolher até cinco universidades brasileiras, mas ele optou por se candidatar a apenas uma. “Eu tinha certeza de que queria estudar na UFBA, por sua trajetória e prestígio, e que queria viver em Salvador, por sua beleza natural e sua riqueza histórica e multicultural. Então escolhi só uma opção. Pensei: se der certo, é porque eu tenho que ir. E deu.”

Também cabe destacar que o GJOL já conta com dois egressos estrangeiros, provenientes da Argentina e da Colômbia: Gonzalo Prudkin e Alix Herrera, que cursaram, respectivamente, o doutorado e o mestrado no PosCóm.

A presença desses estudantes não é casual nem pontual. Para o PosCóm, que tem uma classificação de 6 na avaliação da CAPES, a internacionalização constitui um dos indicadores centrais de excelência. A matrícula regular de estudantes estrangeiros, a existência de mecanismos de seleção orientados a candidatos internacionais, o desenvolvimento de pesquisas em cooperação e a integração de discentes estrangeiros em projetos acadêmicos são elementos diretamente valorizados nos processos de avaliação da CAPES. Atrair e acompanhar pesquisadores internacionais, portanto, não apenas fortalece a vida intelectual do programa, mas também evidencia sua capacidade de projeção regional e global.

Embora venham de países diferentes, Wilfford e Facundo compartilham um dado geográfico curioso, suas cidades natais, Uyuni e Salta, estão separadas por pouco mais de 600 quilômetros e integram a região conhecida como Triângulo do Lítio, uma das maiores reservas do mineral no mundo. Ambas pertencem ao entorno andino e remetem a paisagens radicalmente distintas das de Salvador. A chegada à Bahia implicou, para os dois, uma experiência intensa de deslocamento territorial e simbólico.

“Eu venho de um lugar que é só montanha, um imenso deserto de sal. Aqui, todos os dias, eu acordo, saio de casa e, dobrando a esquina, já vejo o mar. É uma sensação incrível”, resume Wilfford. Facundo, que já está em seu terceiro ano em Salvador, também destaca o impacto que a cidade teve em sua vida, em sua formação e em sua pesquisa.

Ambos ressaltam ainda a importância do acolhimento institucional da UFBA nesse processo de adaptação. A universidade conta com diversos mecanismos de apoio coordenados pela Superintendência de Relações Internacionais (SRI), entre eles o programa Amigo-UFBA, que aproxima estudantes estrangeiros de tutores brasileiros para facilitar sua inserção na vida universitária e na cidade, além da Guia do Estudante Estrangeiro, dos cursos de português e de outras estratégias de integração acadêmica e cotidiana.

Nesse processo, o GJOL atua não apenas como espaço de pesquisa, mas também como comunidade acadêmica de acolhimento. A presença de pesquisadores estrangeiros fortalece o intercâmbio de perspectivas, a comparação entre sistemas educacionais, a discussão de problemas comuns a distintos contextos nacionais e a circulação de novas questões sobre jornalismo, comunicação e tecnologia na América Latina.

Mais do que uma estatística ou um critério de avaliação, a experiência de Wilfford e Facundo mostra como a internacionalização se concretiza no cotidiano do PosCóm e do GJOL, ela enriquece a formação, amplia os horizontes da pesquisa e fortalece o programa diante dos critérios de excelência da CAPES. É também, e sobretudo, uma forma de abrir a universidade ao mundo, produzir conhecimento em rede e afirmar o Brasil como espaço de referência para a formação e a pesquisa em comunicação na América Latina.