Ainda sobre a questão do acesso livre aos conteúdos de sites noticiosos vinculados a grupos de comunicação, fica a pergunta: como será que se posicionarão (ou reposicionarão) as empresas brasileiras em relação às suas estratégias de operação digital? Isso vale tanto para as nacionais como para as regionais, muitas das quais insistem no modelo de conteúdo pago.
Talvez seja o momento de muitas delas repensarem o conteúdo que têm colocado abaixo da parede de pagamento, pois em geral não se trata de conteúdo original e, muitas vezes, a matéria sobre assunto idêntico e com acesso livre está disponível em outro site, ou até no do concorrente. Sem contar os mecanismos de busca, blogs, etc…
Os usuários possuem fontes diversas de informação e sabem onde encontrar aquilo que buscam. Um exemplo: quem hoje abrir o portal UOL e se interessar por ler a matéria que vem originalmente do ElPaís.com (“Mulheres da Arábia Saudita lutam para pegar no volante”) não conseguirá lê-la, a menos que seja assinante do portal. Porém, no site espanhol a matéria “Las saudíes quierem conducir” pode ser lida livremente. E se poderia citar outros exemplos.
No seu “blog” no Estadão (?? desculpa, mas creio ser oportuno citar), o repórter Renato Cruz comenta sobre a decisão do NYTimes.com e a possível liberação do acesso ao Wall Street Journal, e lembra que: “Existem cerca de 40 milhões de internautas no País, o que já corresponde a uma audiência maior que o total de leitores de jornais impressos. No ano passado, a circulação dos jornais ficou em 7,2 milhões de exemplares diários”. E então?

Suzana Barbosa