John Rung, vice presidente da Shaw Newspapers, afirma na Editor & Publisher acreditar que a fase que vem sendo atravessada pelos jornais impressos é comparável aos períodos logo após a criação do rádio e da TV. O grande perigo não é a fragmentação da audiência: “nós estamos lidando com isso desde sempre. Toda a indústria da mídia está lidando com isso”, lembra Rung. Alguns saudosistas falam de um tempo em que “todos liam jornais”, mas naquele tempo quantos jornais existiam?, pergunta Rung.”Você prefere ser o único jornal em sua cidade e ter 40% dos habitantes lendo seu produto ou ser um de 20 jornais, com uma audiência combinada de 80%?
Para ele, o perigo reside em tentar manter altas margens de lucro, às custas de cortes de pessoal e de despesas, que acabam tendo efeitos negativos na qualidade do produto, com queda da circulação, aumento de artigos falando de como a Internet está matando o jornal impresso, anunciantes se convencendo de que necessitam buscar outras alternativas, o que torna mais difícil conseguir publicidade, fazendo com que as margens de lucro diminuam ainda mais. Está formado o cículo vicioso.
Que fazer?, pergunta Rung.
A resposta está em continuar investindo, buscando agressivamente novas parcerias, especialmente com empresas já estabelecidas na Web, e simplificando os modelos vigentes de venda de anúncios. Rung afirma que as tabelas de preços de anúncios são ridiculamente complicadas. Basta de controlar custos: o foco deve ser totalmente direcionado para aumentar audiência e faturamento. Aqueles que estão operando com margens largas de lucro terão que aceitar diminuí-las. E convencer Wall Street e os acionistas que essa é a única via para o futuro. Aqueles que já estão com margens por demais apertadas provavelmente não sobreviverão.

marcos palacios