Um artigo publicado no Le Monde critica a venda de fotografias de “amadores” através de sites que se especializam nesse comércio. Segundo o Le Monde, o fenômeno da imagem de amador não é novo. Em 1963, o filme mais importante do assassinato de Kennedy, em Dallas, foi rodado por um amador. Mas o que sempre foi o domínio da exceção, está se tornando a regra, diz o jornal. Atualmente cada evento ou catástrofe, de uma tsunami a um atentado terrorista, gera um enorme fluxo de documentos amadores, imagens ou pequenos vídeos.
O Secretário da UPC (Union des Photographes Créateurs), Jorge Alvarez, afirma que “a foto de amador não coloca qualquer problema enquanto tal. O que sim coloca é o nascimento de distribuidores que vendem grandes quantidades a baixo preço”.
A reportagem do Le Monde cita Scooplive e Fotolia como dois desses distribuidores. O Fotolia tem um estoque de cerca de 3 milhões de imagens e recebe 20 mil novas fotos diariamente. Uma foto foto ser comprada a preços que variam entre um e 10 dólares. Metade desse valor vai para o autor da imagem.
Segundo Manuel Maqueda, no Periodismociudadano.com, os posicionamentos do Le Monde e da UPC fazem parte das pressões que o jornalismo cidadão vem sofrendo na França, desde a aprovação da lei que proibe a difusão pela Internet de imagens violentas captadas por jornalistas cidadãos. Maqueda faz um histórico desses posicionamentos por parte da grande imprensa e do governo.
A polêmica tem por pano de fundo os distúrbios ocorridos na Gare du Nord (Estação Norte) de Paris, em 27 de março, quando contrariando a legislação, imagens e vídeos do conflito foram distribuídos pela Internet.
marcos palacios