Quem escreve na internet é jornalista?

Para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, escrever na internet é fazer jornalismo. Pelo menos é essa interpretação que pode ser dada à notícia do Supremo. Na ação, os ministros discutem em que local deve tramitar o processo de danos morais contra jornalista (leia-se qualquer usuário) que escreve na internet – se na cidade onde reside ou no local de quem foi ofendido.

O que me chamou atenção também na notícia foi a confusão que, sinceramente, não consegui decifrar: a decisão tem relação com a internet ou com os blogs? Definitivamente, os ministros, seus assessores, e quem escreveu o texto, parecem saber pouco sobre internet e jornalismo. Seria essa uma reafirmação do fim da exigência do diploma para o exercício da profissão?

Apenas para esclarecimento, a repercussão geral quer dizer que os demais processos que discutem a mesma matéria ficam paralisados nas instâncias inferiores, aguardando a decisão desse processo, que repercutirá nos outros. Pelas regras do código civil brasileiro, é no domicílio do ofendido que se discute o processo de danos morais.

Alberto Marques

Um tesouro anglo-saxão encontrado e uma cobertura jornalística modelar produzida

Um caçador de tesouros amador, usando um simples detector de metais, encontrou o que está sendo considerado um dos maiores tesouros anglo-saxões já desenterrados: cinco quilos de ouro, em cerca de 1500 peças, sem contar os objetos de prata. O achado ocorreu no Condado de Staffordshire, na parte central da Inglaterra, e o Guardian, produziu uma cobertura modelar, usando os mais variados recursos do jornalismo na Internet para mostrar ao mundo o que aconteceu e o que significa a descoberta.

É bom ver bom jornalismo.
marcos palacios

Lendo o Ulysses de James Joyce em quadrinhos

Ulysses, de James Joyce, é considerado por alguns como uma das “mais difíceis” obras da língua inglesa.
A história, de umas 450 páginas (cerca de 265 mil palavras), acontece em um só dia, em Dublin. James Joyce, como todos sabem, era irlandês.

A novela relata as aventuras de Leopold Bloom, em um dia quente de 16 de junho de 1904, para o qual Joyce transpõe muitos dos elementos da Odisséia de Homero. Nada disso fica claro inicialmente na novela e há milhares de especialistas, em todo o mundo, discutindo incessantemente sobre detalhes do livro. Um crítico editou um livro de 650 páginas só com anotações sobre cada capítulo da obra, que é repleta de duplos-sentidos, referências, paródias e alusões. Existe uma James Joyce Society, fundada em 1947 por T.S. Eliot, totalmente dedicada ao estudo e divulgação das obras de Joyce. O dia 16 de junho é feriado na Irlanda: o Bloomsday, em homenagem ao livro de Joyce. É o único feriado em todo o mundo dedicado a um livro, excetuando-se a Bíblia.
Existe uma versão em áudio do livro completo, para download gratuito.Ulysses está traduzido em inúmeras línguas, inclusive português.
Parece loucura querer transpor uma obra como essa para quadrinhos, mas é isso mesmo que a Throwaway Horse LLC está fazendo. A Throwaway Horse LLC é uma companhia que se define como ” dedicada a ampliar o conhecimento de obras literárias de domínio público, juntando a ajuda da novela gráfica com a capacidade explicativa da Internet”. Ulysses é o projeto inicial da empresa.
A cada segunda-feira 4 novas páginas da história são liberadas. A novela original de Joyce também foi publicada em fascículos, em um jornal literário norte-americano, The Little Review, entre março de 1918 e dezembro de 1920.
Um blog acompanha o desenvolvimento da transposição para os quadrinhos. Michael Perridge, um especialista no gênero, relata – entre outras coisas – sua experiência de ler Ulysses pela primeira vez.
Cada página dos quadrinhos, em sendo clicada, leva a uma explicação relacionada com a passagem na novela, produzida por Mike Barsanti, um especialista em literatura.
Os quadrinhos são desenhados por Robert Berry. Os originais estão à venda.
Despertei sua curiosidade?
marcos palacios