Anunciando à moda antiga

No século XIX era comum as casas comerciais usarem o formato cartão postal para sua publicidade. Muitas das peças produzidas no período são preciosas e o BibliOdissey levantou uma coleção desses “trade cards”, ingleses e norte-americanos.
Ótima oportunidade também para quem ainda não conhece passar a conhecer esse blog, que deve estar nas listagens de qualquer interessado em comunicação visual.

marcos palacios

Blogs não são conversação. Marketing, menos ainda…

Mathew Hurst, do Data Mining, arremete contra o conceito de blogs como conversação (Blogs as conversation), uma noção bastante difundida em discussões sobre a blogosfera e sobre os formatos emergentes do jornalismo na web (Journalism as conversation). Colocando a negação do caráter conversacional dos blogs como ponto de partida, Hurst vai concluir que ainda menos “conversacionais” são as práticas de marketing, mesmo aquelas que se desenvolvem na Internet.
A intervenção de Hurst vem a propósito de um artigo recente sobre “marketing conversacional” publicado por Peter Hirshberg, no Technorati.
Hurst defende que “blogs não são conversações. Um blog é um lugar de difusão massiva(broadcast) do mesmo conteúdo para muitos consumidores. Conversações são interações simétricas (primeiro você, depois eu, depois você…). Blogs são uma nova forma de interação – um híbrido de monólogo e diálogo (…)”
Nesse modelo híbrido falta a simetria conversacional.
Hurst continua: “Não há audiência em uma conversação, mas há audiência em um blog. Rotular as pessoas numa conversação como “parceiros” sugere igualdade (…)”
E Hurst conclui, agora tendo sob sua mira o marketing conversacional: “A sugestão de que blogosfera é uma conversação; que todos ali somos “parceiros” e que portanto todas essas pessoas usando a blogosfera para fazer marketing (de produtos e serviços) são nossos “parceiros” me dá calafrios (is creepy)”.
Quer se concorde ou não com a posição de Hurst, vale muito a pena ler o artigo de Hirshberg, que funciona como uma síntese da abordagem do “marketing como conversação” na Internet.

marcos palacios

Está na hora dos grandes jornais impressos passarem a ser gratuitos?

Quem faz a pergunta e responde que talvez seja a hora de um “grande” arriscar a aventura é Philip Stone, do Followthemedia.com.
As considerações emergem como mais um efeito colateral da abertura total do site do The New York Times.
Segundo Stone, já existem sinais de que os jornais britânicos começam a se mover na direção da distribuição gratuita. O objetivo é aumentar a circulação e atrair mais anunciantes. O Manchester Evening News adotou, no ano passado, um modelo híbrido: passou a distribuir 50 mil exemplares no centro da cidade, mas continuava vendendo cópias nos subúrbios.Hoje distribui gratuitamente 90 mil cópias no centro, mais do que as 86.923 vendidas nos subúrbios. A combinação de distribuição gratuita e venda faz dele hoje o maior jornal regional da Grã-Bretanha e os anunciantes estão acompanhando bem o movimento.
Nos subúrbios de Londres, um minúsculo jornal regional, O The Reading Evening Post, com uma ciculação de 13.664 cópias, mais 1600 que eram distribuídas para empresas, experimentou passar a distribuir gratuitamente às quartas-feiras. Deu certo e agora eles vão distribuir 80 mil cópias gratuitas de segunda a sexta.
No que diz respeito à web, o último grande jornal que ainda cobra acesso é o Wall Street Journal, com 983.000 assinantes pagando cerca de U$ 65 milhões por ano. Mas Rupert Murdoch, numa conferência na semana passada, disse que está pensando em abrir o site e passar a financiá-lo exclusivamente com publicidade. O britânico Financial Times, com 100 mil assinantes no site também está considerando a possibilidade de abrir sua edição. Se os dois baluartes do jornalismo financeiro passarem para o campo dos webjornais de livre acesso, os modelos pagos na web passarão a ser absoluta exceção e começarão a ser vistos como dinossauros.

marcos palacios

Acesso livre total no The New York Times: nem todos acham uma boa idéia

Um dos que acham que a idéia é perigosa é Mark Potts, do Recovering Journalist.
Ele argumenta que a abertura vai trazer mais trâfego para o NYT, mais visibilidade nos sites de buscas, mais prestígio para os colunistas, porém duvida que a publicidade possa compensar a perda com a abertura do acesso.
“O NYT está deixando para trás U$ 10 milhões de faturamento anual. É esperar para ver se o aumento de trâfego – e correspondente aumento de publicidade – podem compensar essa perda.”
Potts está convencido que todas as publicações, sejam online ou offline, precisam continuar buscando formas extra-publicidade para pagar seus custos: o que para ele inclui assinaturas e principalmente acesso pago.
“O debate sobre conteúdo está longe de estar morto com a decisão do NYT. Acho que estamos apenas iniciando esta discussão”.
Até porque, para começar, argumenta Potts, colocar o acesso pago nos colunistas era um decisão equivocada, desde o início. E ele já havia “avisado” sobre isso, em postagem anterior sobre o assunto.

marcos palacios

Mais sobre a superação da Pirâmide Invertida

A propósito do oportuno comentário de Suzana Barbosa à postagem anterior, vale a pena de fato chamar a atenção para o trabalho do Prof. João Canavilhas (Universidade da Beira Interior) que, em 2005, criou um modelo de pirâmida deitada, com muita proximidade ao proposto por Bradshaw.
Igualmente digna de nota é a discussão estabelecida sobre o assunto por Luciana Mielniczuk, que no capítulo 5 de sua tese doutoral sobre o formato da notícia na escrita hipertextual (2003), fala sobre transformações possíveis do modelo de pirâmide invertida.
Duas contribuições que enriquecem muito o debate e fornecem mais parâmetros para avaliar-se a proposta de Bradshaw.

marcos palacios