Através do Novosmedios.org cheguei ao oSkope, um site de busca que funciona visualmente e serve para pesquisar na Amazon, e-Bay, Flickr e Youtube.
Escrito por Marcos Palacios
Escale o Kilimanjaro
Os Sobrinhos do Capitão: pestinhas completam 110 anos em quadrinhos de jornais
Originalmente chamados Katzenjammer Kids (literalmente Moleques do Gemido do Gato), depois Hans and Fritz, e finalmente The Captain and the Kids, dois personagens de quadrinhos estão se aproximando dos 110 anos de publicação ininterrupta. No Brasil eles ficaram conhecidos como Os Sobrinhos do Capitão.
Criados por Rudolph Dirks, como personagens de uma tira cômica para o The New York Journal, os dois moleques estrearam no dia 12 de dezembro de 1897, no The American Humorist, o suplemento de domingo do jornal e continuam tendo suas aventuras publicadas até hoje em alguns jornais norte-americanos.
Hans e Fritz são dois pestinhas, que vivem numa colonia alemã em uma ilha tropical. A principal ocupação dos dois é praticar travessuras, que têm como alvos principais a Mama (ou Mama Chucrutz, como ficou apelidada no Brasil), o Capitão (que vive na pensão da Mama) e o Coronel, um inspetor escolar da ilha, amigo do Capitão. No Brasil foram sucesso em tiras de jornais e tiveram suas histórias editadas em gibis.
Muitas das aventuras envolviam as famosas tortas preparadas pela Ma
ma e roubadas por Hans e Fritz (e às vezes pelo próprio Capitão) enquanto esfriavam na janela. A dupla de arteiros é inspirada em um par de travessos alemães ainda mais antigo (Max e Moritz), criado por Wilhelm Bush, em 1860. Rebatizados como Juca e Chico, Max e Moritz tiveram suas aventuras traduzidas no Brasil por Olavo Bilac, em 1915 (livro completo em facsimile aqui).
Quem quiser conhecer os Sobrinhos do Capitão pode se deliciar com um álbum publicado este ano no Brasil (Os Sobrinhos do Capitão – Piores, Impossível!), reproduzindo tirinhas publicadas entre 1936 e 1938. A edição tem 112 páginas, capa dura, traz uma matéria longa escrita por Fabio Santoro e está à venda na Comix.
É curioso lembrar que apesar do nome da série no Brasil, os meninos não são sobrinhos do Capitão, que só aparece nas histórias a partir de 1902, como um náufrago que acaba se radicando na ilha. “Sobrinhos” talvez para moralizar, a la brasileira, a não muito bem explicada relação entre a Mama e o “titio” Capitão?
O vídeo acima é de 1918.
Saiba mais sobre os Sobrinhos no Mundo HQ.
Os dois moleques fazem parte de minhas memórias de infância.
Que vivam pelo menos mais 110 anos!
marcos palacios
Controle de publicações online na Itália: muito barulho por nada?
A semana foi marcada por forte agitação na Blogosfera italiana, em função de um projeto de lei de Riccardo Franco Levi, Subsecretário da Presidência italiana, que obrigaria todo e qualquer publicação online a se inscrever no ROC (Registro degli Operatori della Comunicazione), o órgão controlador das comunicações na Itália. Ora, se todos teriam que se inscrever, os blogs estariam incluídos, foi a imediata conclusão, geradora de muitas postagens, protestos, listas de moblização, comparações com a China, etc.
Boas sínteses do rebuliço podem ser encontrados no Apogeonline e no Webgol.
O fato é que vários políticos logo se dissociaram do projeto, o Ministro do setor declarou que “não havia lido”, e o próprio Levi já esclareceu que não tinha intenção de incluir os blogs e que o texto será revisto.
Há quem afirme que foi um pânico desnecessário, porque tal controle sobre os blogs, mesmo que o governo assim o desejasse, seria impossível de ser implementado em termos práticos. Há outros, porém, que vêm no episódio uma vitória política da mobilização na Blogosfera, que teria esvaziado o projeto de lei em seu nascedouro.
marcos palacios
Editor Multimídia? Que diabo é isso?
André Deak, que acaba de deixar a Agência Brasil, onde ocupava o cargo de Editor Multimídia, deu uma entrevista por e-mail para Nayara Rocha, do site Sublide.com onde explica o que fazia na Agência e como as qualificações jornalísticas estão em mutação.
André Deak – Como é um cargo novo, ele talvez seja um pouco diferente para cada empresa, uma vez que nem todas são multimídia da mesma forma. Lembro de um anúncio do New York Times para editor multimídia em que se pedia, claro, muita experiência com texto e TV, mas também conhecimentos de HTML e programação em Flash. Quando criamos o cargo em 2006, basicamente era preciso possibilitar, desenvolver e gerenciar a entrada de áudios, vídeos e infografias na página. O site da Agência Brasil é apenas um dos veículos da Radiobrás, que tem também cinco rádios e três canais de televisão. No caso das TVs, tudo analógico. Tive que criar um fluxo diário para que o melhor que estivesse sendo produzido nesses canais fosse também para a internet. Com a rotina criada, pude me envolver com o desenvolvimento dos projetos multimídia, como o Rio Madeira, Consumo Consciente, Bon Bagay Haiti e Nação Palmares (que deve sair essa semana). Também sempre gerenciei o desenvolvimento das infografias, estáticas ou animadas (em Flash). No final, aprendi a editar vídeos no Premiere, e dá pra dizer que sei um pouco de flash (pelo menos entendo como funciona). Como o setor multimídia da Agência Brasil agora está mais desenvolvido, certamente os pré-requisitos para um novo editor lá serão outros – talvez mais próximos dos do New York Times…
SubLide.com – E nesse ambiente de interatividade e multimidialidade criado pela Internet, qual é, ou deve ser, o papel e o perfil do novo jornalista?
André Deak – O papel do jornalista sempre será o de contar histórias. E especialmente trazer à tona histórias obscuras, esquecidas e sujeiras debaixo do tapete em geral. A diferença agora é que as ferramentas para isso são muitas. É muito simples fazer vídeo, foto e áudio – qualquer um pode fazer. Então, se uma história requer alguma ou várias dessas mídias para ser contada, por que não usá-las? Já é preciso sair da cápsula “sou jornalista de texto”, para se tornar apenas “sou jornalista”. Estar aberto ao novo mundo que nos chega. Além disso, talvez o jornalista esteja muito mais próximo de seu público, que na verdade já não é mais só público, porque produz. Estar aberto a essa nova relação e perceber que o monopólio da produção de informação saiu das mãos do jornalista também é importante…
