Publicação de Salaverría alumia o percurso dos 25 anos do jornalismo digital

Olhar, desviar o olhar e olhar novamente. É esse movimento que o recente artigo “Jornalismo digital: 25 anos de investigação” do cientista Ramón Salaverría realiza e é de grande valor para a comunidade acadêmica, uma vez que este trabalho coloca à vista um quadro amplo da trajetória do jornalismo digital em escala global. Além disso, a publicação em tela atualiza a construção de um painel de referências para o arcabouço teórico-metodológico do campo de conhecimento, possibilitando a compreensão básica do estado da arte no que se refere aos aspectos dos processos e do fundamento, a partir das linhas de pesquisa sobre a história da jornalismo na Internet, das modalidades da mídia digital, de seus idiomas e dos desafios econômicos.

Com metodologia quantitativa e uma abordagem mais descritiva, a produção acadêmica versa a respeito das investigações a datar da década de 90 até o presente momento, evidenciando as quatro temáticas e disciplinas que têm sido abordadas pela área: o quadro tecnológico em mudança; a convergência e a evolução multimídia nas rotinas profissionais dos jornalistas; os modelos de inovação em organizações jornalísticas; e os novos públicos da cybermedia. A análise feita por Salaverría confirma que, apesar da pesquisa em jornalismo digital ser uma disciplina consolidada profissionalmente e academicamente, ela está, ainda, em desenvolvimento, apresentando vários desafios metodológicos e temáticos que teremos que enfrentar nos próximos anos. De acordo com o cientista, a pesquisa em mídia digital deve ser renovada nos seguintes aspectos: avançar uma investigação do “nativo digital”, entendendo como tal o que transcende a pesquisa em comparação com outras plataformas e se concentra no estudo exclusivo da mídia digital; empregar tecnologias avançadas de investigação; apostar em uma pesquisa orientada para a inovação; fortalecer a análise dos fenômenos além da simples descrição dos casos.

Ramón Salaverría destaca que as áreas particularmente ativas da pesquisa contemporânea têm priorizado, além da metodologia qualitativa, a quantitativa também. A confluência desses métodos propicia uma qualidade melhor da amostra tanto no âmbito da precisão e da dimensão dos dados, como na nitidez na sua interpretação. O pesquisador alerta que há tarefas pendentes no mundo acadêmico, entre elas, a carência de renovação de novas teorias, a extensão do alcance das teorias em novos contextos, e vale destaque também para a necessária melhoria em relação a transferência do conhecimento produzido na universidade para o mercado a fim de promover a inovação e resolver os problemas sociais.

Download – Inglês:

Salaverría, Ramón (2019). “Digital journalism: 25 years of research. Review article”. El profesional de la información, v. 28, n. 1, e280101.

Download – Espanhol:

Salaverría, Ramón (2019). “Periodismo digital: 25 años de investigación. Artículo de revisión”. El profesional de la información, v. 28, n. 1, e280101.

Ramón Salaverría é vice-reitor de Pesquisa da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, onde também é diretor adjunto do Centro de Estudos da Internet e Vida Digital.

Biografia

Ramón Salaverría é professor de Jornalismo na Universidade de Navarra, onde dirige o Centro de Estudos da Internet e Vida Digital. Especialista em pesquisas sobre ciberjornalismo e mídia digital, sua pesquisa foi publicada em periódicos acadêmicos como Journal of Communication, Journal of Computer-Mediated Communication, Journalism Studies, Journalism Digital Journalism, International Communication Gazette e Journalism Practice, entre outros. Durante o ano acadêmico de 2014-15, ele foi professor visitante no Programa de Pesquisa de Mídia Digital da Universidade do Texas – Austin (EUA). Salaverría também é Professor Visitante da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Concepción (Chile), do Instituto Universitário de Lisboa (Portugal), e da Faculdade de Filosofia da Universidade Nacional de Assunção (Paraguai). Em sua bibliografia destacam-se os livros Ciberperiodismo en Iberoamérica (2016), Periodismo integrado (2008), Cibermedios (2005), Redacción periodística en internet (2005) e Manual de redacción ciberperiodística (2003).

Fonte: salaverria.es

Membros dos GJOL apresentam trabalho na Compós

Com um trabalho que discute o conceito de experiência e o jornalismo imersivo, membros do GJOL estarão presentes no XXVIII Encontro Anual da Compós, que acontece entre os dias 11 e 14 de junho de 2019, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O artigo produzido por Adalton dos Anjos Fonseca, Luciellen Lima e Suzana Barbosa será apresentado no dia 12 de junho, no GT de Jornalismo.

O trabalho apresentado, cujo título é “Uma proposta de framework teórico para a análise da experiência no jornalismo imersivo”, é parte das pesquisas de doutorado dos discentes realizadas sob a orientação de Suzana Barbosa. Ambos os alunos partem das discussões sobre o conceito de jornalismo imersivo para o desenvolvimento de suas questões e metodologias de pesquisa.

Instagram Stories, Live Streaming e Infografia em base de dados: conheça dissertações do GJOL que serão defendidas em maio

Três pesquisas desenvolvidas por mestrandos do Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-Line (GJOL) serão defendidas neste mês de maio. As duas primeiras dissertações, orientadas pelo professor Marcos Palacios, investigam especificidades das apropriações jornalísticas de ferramentas das redes sociais online, tendo os stories no Instagram e as transmissões ao vivo no Facebook como objetos de estudo. As pesquisas são dos mestrandos Victor Villarpando e Alexandro Mota, respectivamente. Já Darlan Caires, orientado pela professora Suzana Barbosa, estudou a visualização e profundidade de infográficos construídos a partir de base de dados.

As apresentações ocorrerão nas tardes dos dias 21, 22 e 31 de maio de 2019, na Faculdade de Comunicação, no campus de Ondina da UFBA (Rua Barão de Jeremoabo, s/n). Confira, abaixo, os horários, a composição das bancas avaliadores e os resumos dos trabalhos.

O JORNALISMO NO INSTAGRAM STORIES: Uma análise de estruturas narrativas nas apropriações do aplicativo por três jornais tradicionais: O Globo, The Guardian e The New York Times

Esta dissertação propõe uma análise comparativa das estruturas narrativas resultantes das apropriações jornalísticas do Instagram Stories pelos perfis no Instagram dos jornais tradicionais com maior número de seguidores em seus países: O Globo no Brasil, The New York Times nos Estados Unidos e The Guardian no Reino Unido. O Instagram Stories é uma ferramenta para postagem de vídeos, fotos, fotos com legendas, desenhos e animações de até 15 segundos que ficam disponíveis por 24 horas. Foi lançada em agosto de 2016 e soma mais de 600 milhões de usuários pelo mundo. Partindo da constatação de que os recursos narrativos possibilitados pela ferramenta facilitam a hibridização entre referências de telejornalismo, fotos+legendas e Snapchat, esta dissertação busca mapear de que forma foram apropriados tais recursos. O propósito geral foi a identificação de eventuais características específicas dessa nova gramática para contar histórias, na busca de efeitos sobre as estruturas narrativas e eventuais inovações. Com base em trabalhos previamente publicados sobre o tema e tendo em conta elementos das teorias sobre inovação no jornalismo, elaboramos uma tabela com os elementos de análise e uma Ficha de Análise com o mecanismo de ocorrência e não-ocorrência, com 58 perguntas. Paralelamente à análise quantitativa, recorremos também a uma análise qualitativa para observar de que forma os elementos são usados para narrar conteúdos jornalísticos. Os resultados apontam para pouca utilização de recursos nativos da ferramenta, para a prevalência das narrativas diegéticas em detrimento das miméticas e para a manutenção de características associadas ao jornalismo impresso tradicional, como o texto em terceira pessoa e a combinação foto com texto.
👨‍💼 Mestrando: Victor Villarpando
🗓 Defesa: 21/05 (terça-feira), às 17h
👤 Orientador: Marcos Silva Palacios
👥Banca avaliadora: Drº. Giovandro Ferreira e Drª. Malu Fontes

 

JORNALISMO LIVE STREAMING: um estudo das apropriações jornalísticas da tecnologia de transmissão audiovisual ao vivo nas mídias sociais

O objeto de pesquisa desta dissertação é a transmissão ao vivo de conteúdos audiovisuais jornalísticos através das mídias sociais. Seu objetivo principal foi identificar e analisar apropriações do recurso Facebook Live em práticas jornalísticas em redações brasileiras. Buscou-se caracterizar o formato ‘ao vivo’ nas redes sociais online, estimar e mapear seus usos no Brasil, identificando continuidades, potencializações e rupturas com processos anteriores de produção, circulação e consumo, além de problematizar os conceitos de interatividade e deadline contínuo mobilizados nessas práticas. Os estudos de modelagem e apropriação social das tecnologias guiaram a investigação. Através de triangulação metodológica, com recurso a estudo de caso ilustrativo, a pesquisa estruturou-se inicialmente em duas etapas analíticas qualitativas: 1) uma pesquisa exploratória de três empresas jornalísticas da cidade de Salvador (BA), 2) uma pesquisa documental dos discursos em torno do live streaming. Seguiram-se uma etapa quantitativa (com o levantamento dos metadados de 235 mil vídeos postados, no Facebook, por 215 páginas de jornais impressos, sites de notícias e TVs do Brasil) e outras duas etapas qualitativas (com análises de coberturas de duas redações convergentes, com sedes no Rio de Janeiro e Curitiba). Diversas ferramentas metodológicas foram mobilizadas e adaptadas, entre elas a Análise Pragmática da Narrativa Jornalística. Nove profissionais envolvidos nas transmissões de lives (repórteres e editores), foram entrevistados buscando-se contextualização e validação de resultados. A pesquisa leva à conclusão que o uso do Facebook Live é um fenômeno nacional, que esteve presente em 81% das redações brasileiras. Trata-se de um formato que potencialmente reúne maior engajamento que os vídeos gravados, apresentando aspectos da interatividade que demandam novas condições de polivalência profissional, especialmente por envolver jornalistas sem experiência com audiovisual. Identificou-se, no percurso da pesquisa, um novo patamar de atualização contínua, o que exigiu uma revisão, dez anos após sua formulação, da ideia de Jornalismo Live Streaming, para acomodar produções noticiosas baseadas na instantaneidade intensiva, cujos processos de produção, difusão e consumo são síncronos e com alta visibilidade das interações dos usuários, sendo potencialmente capazes de integrar os receptores ao conteúdo, como coprodutores em tempo real ou atual.
👨‍💼 Mestrando: Alexandro Mota
🗓 Defesa: 22/05 (quarta-feira), às 14h30
👤 Orientador: Marcos Silva Palacios
👥Banca avaliadora: Drº. Fernando Firmino, Drª. Juliana Gutmann e Drº. Washington de Souza Filho

DESENHANDO A INFOGRAFIA EM BASE DE DADOS: uma análise sobre profundidade de conteúdo e formas inteligíveis da visualização da informação


Esta pesquisa tem o objetivo de discutir o campo de atuação da infografia apontando a sua caminhada não para um caminho evolutivo, mas de adição às etapas já existentes: a quarta fase do hiperinfográfico. A discussão se baseia em estudar a visualização de dados e a visualização da informação a partir das variações do objeto infográfico. Para isso, estabeleceu-se uma relação entre o conteúdo criado com base de dados e as diversas formas de visualizar uma mensagem – considerando aspectos relacionados à inovação, criatividade, funcionalidade e densidade. Para isso, analisamos 10 reportagens infográficas premiadas nas edições 26 e 27 do MALOFIEJ – competição reconhecida internacionalmente, criada pela Society For News Design (SND). Utilizando o método do Estudo de Caso, construiu-se um formulário de observação explorando modelos analíticos referentes às seguintes áreas: definição da função do infográfico (HAAN et al. 2017); aplicação do Círculo da Visualização (CAIRO, 2016); e utilização do Códice do Pensamento Visual (TEIXEIRA, 2015). Como resultado, mesmo com a interatividade presente em todos os hiperinfográficos, identificou-se um uso excessivo de imagens estáticas, limitando, dessa forma, o quesito da inovação. A tendência de representação visual da maioria da amostra se limitou a criar um conteúdo que objetivava uma representação do objeto simples, destacando a quantificação das coisas, favorecendo a visão da totalidade e, assim, comparando os fatos como eles são. Apesar da pouca inovação, os hiperinfográficos apresentam forma equilibrada, com um conteúdo bem trabalhado, devido às muitas relações estabelecidas (com profundidade), e com certa dose de criatividade, configurando, portanto, um material coeso.
👨‍💼 Mestrando: Darlan Caires
🗓 Defesa: 31/05 (sexta-feira), às 14h30
👤 Orientadora: Drª. Suzana Oliveira Barbosa
👥Banca avaliadora: Drª. Tattiana Teixeira e Drª. Carla Risso.

Aula aberta (11/04): “Inteligência Jornalística, qualidade, inovação e tecnologia”, com Josenildo Guerra

Na quinta-feira da próxima semana (11/04), o prof. Josenildo Guerra, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), ministrará aula aberta no PósCom com o tema “Inteligência jornalística, qualidade, inovação e tecnologia”. A aula acontecerá na sala 11 da FACOM, a partir das 14h. O professor é especialista em gestão da qualidade editorial e instrumentos de accountability em jornalismo, construindo interfaces com as áreas de tecnologias de informação e gestão do conhecimento.

Autor de “O percurso interpretativo na produção da notícia – verdade e relevância como parâmetros de qualidade jornalística” (2008), Guerra tem realizado pesquisas em teoria e ética do jornalismo (jornalismo como instituição, noções de verdade, objetividade, relevância e pluralidade aplicadas ao jornalismo, fontes de informação), gestão do processo jornalístico.  É um dos líderes do Laboratório de Estudos em Jornalismo e coordenador do Qualijor (Programa de Pesquisa em Qualidade, Inovação e Tecnologia Aplicada ao Jornalismo), associado à Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (RENOI), uma rede de pesquisa vinculada à Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor).

A realização da aula é viabilizada através da Cooperação científica interinstitucional para o estudo das transformações em processos e produtos comunicacionais decorrentes da expansão das tecnologias digitais, convergências de mídia e contextos de regionalização. Do projeto, participam as instituições UFS (Sergipe), UFRGS (Rio Grande do Sul) e UFBA (Bahia). A coordenação geral do programa é de Carlos Eduardo Franciscato (UFS). Na UFBA, a coordenação é da profa. Suzana Barbosa.

Abaixo, a ementa da aula e as leituras sugeridas para discussão.

“Inteligência jornalística”, qualidade, inovação e tecnologia

Não raro, a discussão sobre “inovação” em jornalismo se associa diretamente à “tecnologia”. Na perspectiva aqui proposta, sugere-se que, para se pensar a inovação em gestão editorial, processos e produtos jornalísticos, é preciso o desenvolvimento de uma “inteligência jornalística” capaz de gerar novas dinâmicas de gestão, de processos e, consequentemente, de produtos. Por “inteligência jornalística” deve-se entender o aprimoramento e a inovação conceitual, que contribua para o desenvolvimento de métodos jornalísticos mais sofisticados (com fundamento teórico, rigor processual e resultados mensuráveis). “Inteligência jornalística” e pesquisa aplicada em jornalismo. Qualidade e inovação. Tecnologia e Jornalismo (JDBD): possibilidades oferecidas; possibilidades a serem exploradas. O caso do Qualijor: sistema de apoio à produção jornalística.

Leituras recomendadas: 

GUERRA, Josenildo Luiz. Qualijor – Sistema de Gestão da Produção Jornalística orientado para a qualidade editorial: pesquisa aplicada e de desenvolvimento experimental em jornalismo. Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação – E-Compós (Brasília), v. 19, 2016b. (1-26). Disponível em: http://www.e-compos.org.br/e-compos/article/view/1291 Acesso em: 13 set. 2017.

GUERRA, Josenildo L., VIEIRA, Lucas S. Qualijor – Sistema de Gestão da Produção Jornalística: conceito e testes de funcionalidade para fins de avaliação de qualidade editorial. In.: FRANCISCATO, Carlos E., GUERRA, Josenildo L, FRANÇA, Lílian C. M. Jornalismo e tecnologias digitais: produção, qualidade e participação. São Cristóvão: Editora UFS, 2015. Disponível em: https://www.academia.edu/37256256/Jornalismo_e_Tecnologias_Digitais_produ%C3%A7%C3%A3o_qualidade_e_participa%C3%A7%C3%A3o

GUERRA, Josenildo L. Bases conceituais para um sistema informatizado de gestão da produção jornalística com foco na qualidade editorial. In.: FRANCISCATO, Carlos E., GUERRA, Josenildo L, FRANÇA, Lílian C. M. Jornalismo e tecnologias digitais: produção, qualidade e participação. São Cristóvão: Editora UFS, 2015. Disponível em: https://www.academia.edu/37256256/Jornalismo_e_Tecnologias_Digitais_produ%C3%A7%C3%A3o_qualidade_e_participa%C3%A7%C3%A3o

[Serviço]

O quê: Aula aberta “Inteligência jornalística”, qualidade, inovação e tecnologia

Quando: 11 de abril de 2019, às 14h

Onde: Sala 11 da Facom

Acesso: Livre para todos os interessados.