Metamorfose ambulante: artigo identifica evolução dos novos formatos audiovisuais

A última edição da revista Communication & Society traz o artigo “New audiovisual formats in the cybermedia: from TV reports to videonews”, do pesquisador Juan Jódar-Marín (Universidade de Granada), que versa sobre a evolução dos formatos audiovisuais do jornalismo e sua relação com as narrativas de imprensa. De fato, as novas configurações da linguagem jornalística, especialmente num cenário carregado de inovações tecnológicas, só têm a ganhar – e efetivamente já estão ganhando.

O estudo demonstra que o novo ecossistema de comunicação digital trouxe uma reconfiguração dos usos de diferentes formatos audiovisuais para adaptá-los às necessidades de usabilidade e apropriação dos conteúdos pelos usuários. Marín (2019) salienta que a redefinição dos conteúdos é fruto da hipermidialidade e multimidialidade (características do jornalismo em redes digitais).  Isso levou ao surgimento de formatos exclusivos da mídia eletrônica, devido à fusão sinérgica de estratégias narrativas da imprensa escrita integrada aos recursos das narrativas audiovisuais. A definição da Internet como mídia e de suas características passa pelo conhecimento dos hábitos de leitura do usuário/leitor de notícias na rede, de modo a estabelecer elos com o conteúdo esperado e a usabilidade proposta.

Como arcabouço metodológico foram analisadas amostras representativas do conteúdo audiovisual dos portais El País, El Español e Playground nos meses de junho e julho de 2018.

Após a compilação do corpus, o autor parametrizou o conteúdo em quatro formatos, agrupados de acordo com sua estrutura, cobertura e complexidade da produção.

Dados do trabalho apontam que o conteúdo audiovisual em redes digitais não é apenas articulado como uma extensão do texto noticioso, ilustrando fatos e declarações da figura principal, mas também pode ser integrado ao texto de forma autônoma e até complementar. Talvez o questionamento mais importante não seja só a adaptação para os diferentes meios, e sim a forma como ambos estão interligados, como as informações se cruzam. Jenkins (2009) aposta na narrativa transmidiática como a mais eficiente para atrair e atingir públicos distintos.

Outro ponto destacado é que a segmentação de conteúdo promovida pela multiplicidade de canais, resultado da digitalização, também levou a uma variedade de formatos novos que adequam o conteúdo a diversos tipos de dispositivos eletrônicos. O novo ecossistema de comunicação determinou a complementaridade das novas mídias, bem como a apropriação de dispositivos eletrônicos já existentes, reconfigurando aplicativos, idiomas e ajustando-os às respectivas audiências. Consequentemente, o conteúdo tradicional da mídia impressa se transformou. Houve uma adaptação à linguagem web e a maior parte das informações está se moldando e tende a ser disponibilizada em vídeos.

Neste estudo, as estatísticas confirmam o aumento significativo do conteúdo audiovisual nos portais de imprensa digital e a imbricação das informações com os textos das notícias. Sua estrutura em diferentes formatos permite complementar as matérias, adaptando-as às necessidades ou relevância da curadoria de conteúdo. Ao analisar e comparar esses vídeos atuais com as premissas e a estrutura do jornalismo televisivo, há diferenças substanciais da televisão convencional. Isso nos leva a depreender que já é possível pensar em um novo formato jornalístico audiovisual no que tange à mídia eletrônica. Os portais digitais verificados conseguiram articular diferentes ferramentas para suas realidades. O autor endossa que essa tendência responde ao uso e ao desenvolvimento do discurso audiovisual baseado em valores icônicos fundamentais da imagem e da informação do texto. Todos são editados e pós-produzidos digitalmente.

Ainda reitera que, ocasionalmente, a imprensa utiliza outros recursos audiovisuais, como: vídeos editados exclusivamente a partir de imagens de ruído de fundo (B-roll); links para conteúdo no Youtube; gravações informais em smartphones ou até vídeos que viralizaram. Como consequência, esta miríade de possibilidades, possibilita maior produção de informações ao se utilizar os recursos com eficiência. Discute-se que o aumento da produção de vídeos na Internet levou a criação de espaços específicos para conteúdos jornalísticos audiovisuais em mídia digital.

Em um cenário em que o jornalismo tem que se reinventar, uma vez que a preferência do público, bem como sua atenção, estão cada vez mais divididas entre numerosas opções de leitura e fruição da informação, migrando pesadamente para os ambientes digitais, o esforço por elaborar produtos informativos mais eficazes tem sido um grande desafio para imprensa.

 Referências bibliográficas

Jódar-Marín, J. Á. (2019). New audiovisual formats in the cybermedia: from TV reports to videonews. Communication & Society, 32(4), 63-75.

Para download do artigo em inglês clique aqui.