Como o Pokémon Go pode inspirar o jornalismo móvel

Pokemon_GO_capaPassada a euforia inicial do lançamento do Pokémon Go no Brasil (ou não), já consigo fazer algumas notas iniciais sobre como os elementos do jogo podem trazer algumas inspirações para o jornalismo móvel. Nada do que trago aqui é absolutamente inédito em produtos jornalísticos recentes, no entanto, a articulação bem feita destas categorias em um produto midiático é que torna o jogo desenvolvido pela Niantic o grande fenômeno de 2016.

O primeiro ponto diz respeito à construção de um jogo feito para experiência mobile-first. O problema para o jornalismo é que várias empresas ainda estão começando a entender a lógica da plataforma digital. Muitas acabaram de adotar a estratégia digital-first, há dois ou três anos, e fazem experimentações e adaptações para dispositivos móveis. Algumas, inclusive, muito bem feitas, como essa peça da BBC (melhor visualizada com o smartphone).

O que o Pokemón Go pode trazer de inspiração para criação de um aplicativo jornalístico para o smartphone é um produto com estratégia mobile-first. Ou seja, um produto que integra as funcionalidades, recursos e características da plataforma de modo estratégico na produção, circulação, uso e recirculação de conteúdos.

Falar assim pode parecer muito fácil e abstrato, mas as próximas quatro características inspiradoras serão mais concretas e se complementam a primeira.

A Realidade Aumentada – nada nova no jornalismo, a TV já fazia sobreposição de informações em imagens em transmissões esportivas, segundo João Canavilhas – é um recurso que chama atenção em Pokémon Go. Andar pela cidade, caçando os bichos e passando pelos PokeStops, através da interação entre o mundo físico e a nova camada de informações exposta na tela do celular, abre um potencial imenso para a produção de um conteúdo noticioso que seja remontado a partir da geolocalização e da imagem capturada pela câmera e projetada na tela do smartphone, por exemplo.

Não posso deixar de falar sobre a importância dos dados para o jogo e de como ele tem servido para difundir ainda mais as discussões em torno da Big Data. Os mapas dos PokeStops são excelentes exemplos de como se pode trabalhar com mapas interativos e colaborativos, com recursos como o Google Maps, por exemplo.

O último ponto destas notas iniciais diz respeito à coleta de metadados realizada pelo jogo. As discussões têm sido imensas (e mereciam outro post aqui em nosso blog), mas são inspiradoras não só por representar oportunidades para as produções jornalísticas ou na ajuda na tomada de decisões nas redações, mas por levantar questionamentos relacionados aos dilemas éticos e a privacidade desta coleta quase “invisível” de metadados, como a hora e localização no Pokémon Go.

Como este foi apenas um primeiro esforço de elencar algumas notas sobre o jogo que povoa minha linha do tempo no Facebook e os corredores e espaços abertos na nossa universidade, muitos outros pontos inspiração para o jornalismo móvel e para o jornalismo de modo geral ainda devem ser revelados. Agora é observar e, para quem gosta, caçar uns bichos por aí com o smartphone.